
A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode provocar uma retração de até 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil e uma perda de até US$ 9,4 bilhões na balança comercial, segundo projeções iniciais de economistas ouvidos pelo R7. A medida está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.
O impacto, embora ainda cercado de incertezas, seria resultado direto da perda de competitividade de setores estratégicos como carne, café, pescado, aviação e siderurgia — e escancara gargalos estruturais do comércio exterior brasileiro.
Além da desaceleração econômica, os analistas apontam efeitos negativos sobre a balança comercial, o investimento estrangeiro e o mercado de trabalho.
Doutor em economia e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Hugo Garbe calcula que o saldo comercial brasileiro pode encolher até US$ 9,4 bilhões, o equivalente a 0,44% do PIB atual, estimado em US$ 2,17 trilhões.
“É difícil estimar, ainda estamos fazendo diversas simulações porque são vários setores afetados, mas a gente já prevê que, mantendo a tarifa, pode impactar até 0,5% do PIB. É muita coisa”, afirmou.
Ele avalia que o tarifaço funciona como um “teste de estresse” para o modelo de comércio exterior brasileiro.
“Existem diversas barreiras regulatórias, culturais e principalmente sanitárias que condicionam a entrada de produtos brasileiros em destinos que a gente pode definir como alternativos ao mercado norte-americano”, explicou.
Produtos tradicionais da pauta exportadora brasileira, como café e suco de laranja, estão entre os mais ameaçados. “Os Estados Unidos são um dos maiores consumidores do grão brasileiro, especialmente aquele café 100% arábico, que são os cafés especiais”, explicou Garbe.
Segundo ele, encontrar mercados alternativos não será simples. “O mercado europeu impõe padrões de rastreabilidade e sustentabilidade que ainda não são universalizados no Brasil. Você não tem como transferir de forma imediata volumes que a gente exporta hoje café para o mercado norte-americano para toda Europa ou Ásia, por exemplo.”